quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SABER EM DOSES - TEMA 1 - REVOGAÇÃO DA LEI DO GERSON



“Gosto de levar vantagem em tudo, certo?   Leve vantagem você também”.

 Gérson, meia armador da Seleção Brasileira de Futebol foi o protagonista.

Segundo  a Lei do Gérson a pessoa  "gosta de levar vantagem em tudo", no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.

A expressão originou-se em uma propaganda, de 1976, para os cigarros Vila Rica. A propaganda dizia que esta marca de cigarro era vantajosa por ser melhor e mais barata que as outras, e Gérson dizia no final: Gosto de levar vantagem em tudo, certo?  Leve vantagem você também.

"Jeitinho", expressão brasileira, é um modo de agir usado para driblar normas e convenções sociais. É uma forma de navegação social tipicamente brasileira, onde o indivíduo pode utiliza-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, recompensas, promessas, dinheiro etc. – para obter favores para si ou para outrem, às vezes confundido com suborno ou corrupção.


Normalmente o indivíduo sabe que não é certo fazer determinada coisa e a faz. Porém, quando chega a punição é dado um jeitinho de se esquivar da responsabilização pelo ato, algo como "varrer a sujeira para baixo do tapete", por isto tem este nome.

Malandragem define-se como um conjunto de artimanhas utilizadas para se obter vantagem em determinada situação (vantagens estas muitas vezes ilícitas). Caracteriza-se pela engenhosidade e sutileza. Sua execução exige destreza, carisma, lábia e quaisquer características que permitam a manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil possível. Contradiz a argumentação lógica, o labor e a honestidade, pois a malandragem pressupõe que tais métodos são incapazes de gerar bons resultados. Aquele que pratica a malandragem (o "malandro") age como no popular adágio brasileiro, imortalizado pelo nome de Lei do Gerson: "tenho de levar vantagem em tudo".


Tal como o jeitinho, a malandragem é um recurso de esperteza, utilizado por indivíduos de pouca influência social, ou socialmente desfavorecidos. Isso não impede a malandragem de ser igualmente utilizada por indivíduos mais bem posicionados socialmente. Através da malandragem, obtêm-se vantagens ilícitas em jogos de azar, nos negócios e na vida social em sua totalidade.

sábado, 6 de agosto de 2011

SABER EM DOSES TEMA 2 : APLICAÇÃO DA TESE DA PUNIÇÃO

O FUTURO, se 'existir', é o 'resultado' do 

PASSADO, mais o PRESENTE, mais a 

PUNIÇÃO, sem 'prever' os IMPREVISTOS ! 

PASSADO : O passado é uma parte do tempo e refere-se a todo e qualquer acontecimento em período de tempo anterior ao presente, sendo objeto da história, que identifica e classifica os eventos verificados.

Os humanos gravaram o passado desde tempos longínquos e uma das características dos seres humanos é que eles conseguem gravar o passado, recordá-lo, mencioná-lo e confrontá-lo com o estado atual das coisas, assim conseguindo planejar o futuro.

PRESENTE : Presente é um termo para designar o tempo do agora, que não é nem passado nem futuro.

FUTURO : O futuro é o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido. Referente a algo que irá acontecer.

Tese: F = 3P-I  ou                    FUTURO =
PASSADO + PRESENTE + PUNIÇÃO    IMPREVISTOS

Uma tese (literalmente 'posição', do grego θέσις) é uma proposição intelectual. “É um texto que se caracteriza pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista. Ou então pelo questionamento acerca de um determinado assunto.

PUNIÇÃO: A Punição é um processo no qual se reduz a probabilidade de determinada resposta voltar a ocorrer através da apresentação de um estímulo aversivo, ou a retirada de um estímulo positivo após a emissão de determinado comportamento indesejado.

Punir é fazer justiça, e não forçosamente perder simpatias, porque os homens possuem o sentido da justiça, e alguns não compreendem o alcance real dos seus atos, senão quando as conseqüências estão à vista.
Um olhar, uma palavra, um sorriso ou um franzir de sobrolho, bastam a uma pessoa amada para exprimir a sua satisfação ou a sua reprovação. Um castigo exemplar, dado a propósito, atinge então seguramente o seu objetivo.

Punir não é só um direito, mas é, sobretudo, um dever, por vezes doloroso, mas ao qual ninguém deve furtar-se. O homem punido tem obrigação de dar-se conta de que não somos nós que o castigamos, mas a sociedade é regida por leis, regras, normas e regulamentos, consolidados pela cultura de cada povo, tratada de forma individual, mas com abrangência globalizada, onde cada um de nós somos os representantes.

IMPREVISTO: Imprevisto é algo  extraordinário, inesperado, inopinado, eventualidade, acaso, acidente, súbito, repentino, como doenças ou desastres naturais.   Pode ser utilizado como adjetivo, como o que acontece sem ter sido previsto: sucesso imprevisto.  Como é gostoso se sentir surpreendido! Às vezes, em momentos de nossas vidas, acontecem coisas que nem podemos imaginar. E esses imprevistos são de certo modo deliciosos pra quem sabe apreciar!
 Também pode ser usado como substantivo masculino, como aquilo que não se prevê: os imprevistos de uma viagem, ou catástrofes naturais e porque não, uma bala perdida.

PUNIÇÃO
 Alguns conselhos:

- Nunca é aconselhável punir num momento de irritação; como regra, espere-se o dia seguinte para fixar o castigo.

- Ouçamos o faltoso e de boa fé procuremos com ele as circunstâncias que podem ser atenuantes.

- Quando chegarmos à conclusão de estarmos a tratar com um indivíduo mau, inacessível aos bons processos, castigue,castigue com vigor, até que mude ou desapareça.

- Façamos o possível por que os maus nunca se juntem, porque para os maus como para os bons, a união faz a força.

- Duvidar, sem motivo, da palavra de uma pessoa, seja parente, amiga ou subordinada, seria uma injúria gratuita. Se percebermos que fomos enganados, assiste-nos o direito de punir tanto mais severamente quanto maior confiança lhe tiver mostrado.

SABER EM DOSES - Tema 1 - REVOGAÇÃO DA LEI DO GERSON


Gosto de levar vantagem em tudo, certo?  Leve vantagem você também.

Gérson, meia armador da Seleção Brasileira de Futebol era o protagonista.
Segue a Lei de Gérson a pessoa que "gosta de levar vantagem em tudo", no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais. A expressão originou-se em uma propaganda, de 1976, para os cigarros Vila Rica.


A propaganda dizia que esta marca de cigarro era vantajosa por ser melhor e mais barata que as outras, e Gérson dizia no final: GOSTO DE LEVAR VANTAGEM EM TUDO! LEVE VANTAGEM VOCÊ TAMBÉM! Essa frase resumia a suposta malandragem brasileira, símbolo do jeitinho e da corrupção, ficando popularmente conhecida como lei de Gérson

Mais tarde, o jogador anunciou o arrependimento de ter associado sua imagem ao reclame, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome nas expressões Síndrome de Gérson ou Lei de Gérson.


Associa-se a valorização e a mitificação desta "lei" ao conceito de malandragem, do uso de pistolões em português brasileiro ou de cunhas em português europeu.


 Após a associação maliciosa e indevida, ele já se lamentou publicamente de ter seu nome ligado a esses defeitos do povo brasileiro, que não combinam com o seu jeito de ser e nem com as suas ideias.

"Jeitinho", expressão brasileira, é um modo de agir usado para driblar normas e convenções sociais. É uma forma de navegação social tipicamente brasileira, onde o indivíduo pode utiliza-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, recompensas, promessas, dinheiro etc. – para obter favores para si ou para outrem, às vezes confundido com suborno ou corrupção.
Normalmente o indivíduo sabe que não é certo fazer determinada coisa e a faz. Porém, quando chega a punição é dado um jeitinho de se esquivar da responsabilização pelo ato, algo como "varrer a sujeira para baixo do tapete", por isto tem este nome. Pode-se citar alguns exemplos da longa lista de pequenos pecados que cometemos:
  • Pagamento de taxa, para ser aprovado no exame para tirar a carteira de motorista, mesmo não sabendo dirigir com segurança.
  • Dar dinheiro para o guarda de trânsito anular a multa. Normalmente, para não ser preso, usa-se a frase "tem como dar um jeitinho", uma vez que esta não é considerada suborno.
  • Deixar tudo pra ultima hora: pagamentos, inscrições, responsabilidades.
  • Considerar que o Honesto é um paspalho e que o Malandro é o bom e achar que a Honestidade deve ser combatida com desprezo e a corrupção "se dar bem" louvada como estilo de vida.
  • Trabalhar pouco e querer ganhar muito, querer que os outros trabalhem em seu lugar e que paguem suas despesas.

Malandragem define-se como um conjunto de artimanhas utilizadas para se obter vantagem em determinada situação (vantagens estas muitas vezes ilícitas). Caracteriza-se pela engenhosidade e sutileza. Sua execução exige destreza, carisma, lábia e quaisquer características que permitam a manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil possível. Contradiz a argumentação lógica, o labor e a honestidade, pois a malandragem pressupõe que tais métodos são incapazes de gerar bons resultados. Aquele que pratica a malandragem (o "malandro") age como no popular adágio brasileiro, imortalizado pelo nome de Lei do Gerson: "tenho de levar vantagem em tudo".


Junto ao jeitinho, a malandragem pode ser considerado outro modo de navegação social tipicamente (mas não unicamente) brasileiro; porém, diferente do jeitinho, neste a integridade de instituições e de indivíduos é efetivamente lesada, e de forma juridicamente definível como dolosa. No entanto, a malandragem bem-sucedida pressupõe que se obtenham vantagens sem que sua ação se faça perceber. Em termos mais populares, o "malandro" "engana" o "otário" (vítima) sem que este perceba ter sido enganado.


A malandragem é descrita no imaginário popular brasileiro como uma ferramenta de justiça individual. Perante a força das instituições necessariamente opressoras, o indivíduo "malandro" sobrevive manipulando pessoas, enganando autoridades e driblando leis, de forma a garantir seu prejudicado bem-estar (vide obra "Carnavais, Malandros e Heróis", de Roberto Damatta). Dessa forma, o "malandro" é o típico herói brasileiro. Exemplos da literatura incluem Pedro Malasarte e João Grilo.
Tal como o jeitinho, a malandragem é um recurso de esperteza, utilizado por indivíduos de pouca influência social, ou socialmente desfavorecidos. Isso não impede a malandragem de ser igualmente utilizada por indivíduos mais bem posicionados socialmente. Através da malandragem, obtêm-se vantagens ilícitas em jogos de azar, nos negócios e na vida social em sua totalidade. Pode-se considerar "malandro" o adúltero que convence a mulher de sua falsa fidelidade; o patrão que "dá um jeito" de não pagar os funcionários tal como deveria; o "jogador" que manipula as cartas e leva para si toda uma rodada de apostas.
  

SABER EM DOSES - Grupo de Estudo

Grupo de Estudo – SABER EM DOSES

TEMA 1:
REVOGAÇÃO DA LEI DO GERSON:
Gosto de levar vantagem em tudo certo?  
 Leve vantagem você também!
TEMA 2:
APLICAÇÃO DA TESE DA PUNIÇÃO

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

M 3 L – CARMEN MIRANDA

Nasceu em 09 de fevereiro de 1909 em uma aldeia ao norte de Portugal, chamada Várzea da Ovelha e Aliviada, mas, Carmen Miranda foi criada na Lapa carioca, que nas décadas de 1910 e 1920 era um caldeirão cultural de artistas, malandros e gente de todo tipo. Assimilando a estética, a linguagem e as novas sonoridades do lugar e da época, aprendeu as gírias e expressões das rodas boêmias, suas favoritas, e criou um personagem que seria uma representação do século 20.

Carmen foi a primeira artista multimídia do Brasil. Talentosa, não só cantava, dançava e atuava, mas sabia, intuitivamente, transitar com desenvoltura pelo que viria a se tornar a indústria cultural.

Transformou-se num ícone das massas, ao mesmo tempo criando e sendo criada por esse novo mundo do entretenimento que se desenhava. Pioneira, foi a maior estrela do disco, do rádio, do cinema, dos teatros, da mídia, e dos cassinos brasileiros.

Única no movimento das mãos e quadris e no revirar dos olhos verdes, estilizou a baiana, com badulaques, a boca pintada de vermelho, sempre sorridente e tão imitada, amada e parodiada em todos os cantos do mundo. Mais tarde, viraria boneca de papel e desenho animado da Disney.

Ela eternizou os mais importantes compositores de seu tempo da música brasileira, de Lamartine Babo a Ary Barroso, de Dorival Caymmi a Pixinguinha. Gostava de tango, mas investiu na gravação de marchinhas de carnaval e sambas, que tratava de cantar à sua maneira, muitas vezes trocando a letra das músicas, acrescentando uma bossa própria, um jeito de sublinhar as palavras com seus muitos erres vibrantes.

Pessoalmente, vivia rodeada pela família e era muito querida pelos amigos. Não teve filhos, mas, à frente do seu tempo, foi uma mulher de grandes amores, namorou o atleta Mário Cunha, o industrial Carlos Alberto da Rocha Faria, o músico Aloysio de Oliveira e David Sebastian, o único com quem se casou.

Protagonista de uma carreira meteórica, Carmen conseguiu uma projeção internacional como nenhuma outra artista do país, primeiro na Argentina e outros países da América Latina e depois nos Estados Unidos, Europa e em todo o mundo. É até hoje a única latino-americana a gravar pés e mãos no cimento da calçada da fama de Los Angeles.
Nos Estados Unidos, cantou em português para um público que não entendia uma palavra do que ela dizia, mas como todo mito, foi alvo de polêmicas e controvérsias.
No cinema americano, teve a imagem atrelada à caricatura da mulher latina, ciumenta, irritada, de sotaque carregado e exagerado, o que era incentivado pelos produtores americanos, ainda que Carmen, na vida real, falasse inglês muito bem.

Do lado brasileiro, foi acusada de ser instrumento da estratégia americana de boa vizinhança com os países latino-americanos antes da Segunda Guerra e também de servir ao populismo de Getúlio Vargas. Acusavam-na ainda de acentuar os estereótipos do Brasil, de rebuscar os gestos, de “americanizar-se”.

Massacrada por inúmeros compromissos de trabalho, por pílulas para dormir e para acordar, pela engrenagem de Hollywood, morreu na madrugada de 5 de agosto de 1955, após a gravação de um programa de televisão em Los Angeles, com apenas 46 anos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

M 3 L – MÁRIO LAGO

Mário Lago (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 — Rio de Janeiro, 30 de maio de2002) foi um advogado, poeta, radialista, letrista e ator brasileiro.
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, fez-se popular entre as décadas de 40 e 50.
Filho do maestro Antônio Lago e de Francisca Maria Vicencia Croccia Lago, e neto do anarquista e flautista italiano Giuseppe Croccia, formou-se em Direito pela Universidade do Brasil, em 1933, tendo nesta época se tornado marxista. A opção pelas idéias comunistas fez com que fosse preso em sete ocasiões - 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969.
Foi casado com Zeli, filha do militante comunista Henrique Cordeiro, que conhecera numa manifestação política, até a morte dela em 1997. O casal teve cinco filhos: Antônio Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luiz Carlos (em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes) e Vanda.
Começou pela poesia, e teve seu primeiro poema publicado aos 15 anos.
 Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na década de 30, na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), onde iniciou sua militância política no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, então fortemente influenciado pelo Partido Comunista Brasileiro. Durante a década de 1930, a então principal Faculdade de Direito da capital da República era um celeiro de arte aliada à política, onde estudaram Lago e seus contemporâneos Carlos Lacerda, Jorge Amado, Lamartine Babo entre outros.
Suas composições mais famosas são "Ai que saudades da Amélia", "Atire a primeira pedra", ambas em parceria com Ataulfo Alves; "É tão gostoso, seu moço", com Chocolate, "Número um", com Benedito Lacerda, o samba "Fracasso" e a marcha carnavalesca "Aurora", em parceria com Roberto Roberti, que ficou consagrada na interpretação de Carmen Miranda.
Na Rádio Nacional, Mário Lago foi ator e roteirista, escrevendo a radionovela "Presídio de Mulheres". Mas só ficou conhecido do grande público mais tarde, pela televisão, quando passou a atuar em novelas da Rede Globo, como "O Casarão", "Nina", "Brilhante", "Elas por Elas" e "Barriga de Aluguel", entre outras. Também atuou em peças de teatro e filmes, como "Terra em Transe", de Glauber Rocha.
Mário esteve na União Soviética, em 1957, a convite da Rádio Moscou, para participar da reestruturação do programa Conversando com o Brasil, do qual participavam artistas e intelectuais brasileiros. Mas os programas radiofônicos produzidos no Brasil., que Mário mostrou aos soviéticos, foram por eles qualificados de "burgueses" e "decadentes". A avaliação que Mário Lago fez da União Soviética também não foi das melhores. Ali, segundo ele, a produção cultural sofria pelo excesso de gravidade e autoritarismo. Apesar da decepção com a experiência soviética, Mário Lago jamais abandonou a militância política. 
Em 1964, foi um dos nomes a encabeçar a lista dos que tiveram seus direitos políticos cassados pelo regime militar, e perdeu suas funções na Rádio Nacional.
Em 1989, ligou-se ao Partido dos Trabalhadores e atuou como âncora dos programas eleitorais do então candidato do partido, Luís Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 1998.
Autor dos livros Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986), foi biografado em 1998 por Mônica Velloso na obra: Mário Lago: boêmia e política.
No carnaval de 2001, Mário Lago foi tema do desfile da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz.
Morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade.

M 3 L – JUAN MANUEL FANGIO

Fangio nasceu em Barcarce, Argentina, no dia 24 de Junho de 1911. Desde cedo se interessou por corridas de automóveis que, na época, não ofereciam o status nem o dinheiro de hoje. Isso sem falar de segurança.

Os carros de corrida eram tão inseguros quanto difíceis de guiar. Os capacetes não passavam de "cuias" que cobriam a parte posterior do crânio (semelhante aos utilizados pelos pilotos de avião na 1a e 2a guerras mundiais), e os pilotos não tinham balaclava nem macacão anti-incêncio. Quanto a cinto de segurança... o que é isso mesmo?

O risco extremo a que os pilotos da época estavam submetidos acabou propiciando muitas mortes desnecessárias, e o fim prematuro de algumas carreiras brilhantes. Ainda assim, aos dezesseis anos, o jovem Juan decide abandonar os estudos para se dedicar ao esporte; inicialmente como mecânico e mais tarde como piloto.

Juan Manuel Fangio, em números, dá uma idéia da dimensão deste que foi, indubitavelmente, o maior piloto de corridas de toda a história: cinco títulos mundiais, o que parece pouco perto de Schumacher, por exemplo, que tem sete conquistas. Ocorre, porém, que o argentino disputou apenas oito temporadas completas, o que dá uma incrível média de 62,5% de conquistas nos campeonatos que disputou. Venceu, ao todo, 24 corridas. Todavia, como ele largou apenas 51 vezes, temos que Fangio alcança uma impressionante média de quase uma vitória a cada duas corridas disputadas. Marcou 29 pole positions. Menos do que outros pilotos como Schumacher e Senna, por exemplo. Mas as do argentino ganham outra dimensão quando vistas como 57% de êxito em treinos classificatórios.

Visto em números, Fangio é absoluto. 

Embora esses argumentos já sejam suficientes, não é só em números que a magnitude absoluta deste piloto fantástico se impõe: Adversários como Mike Hawthorn, Froylan Gonzalez, Alberto Ascari e Stirling Moss (este foi seguida e cruelmente derrotado por Fangio nos campeonatos de 1955, 1956 e 1957) reconheciam a superioridade do argentino que "era invencível" segundo um engenheiro da Ferrari na época.

Outro dado importante é que, para Fangio, não havia muita diferença de carros. Nos cinco campeonatos mundiais que venceu, o fez correndo por cinco equipes diferentes, sem permitir que uma eventual inferioridade de equipamento barrasse sua alucinante seqüência de vitórias. Era o Piloto, muito mais do que o Carro.

Um mecânico da Mercedes comentou, anos depois, que a fábrica alemã só não estabeleceu uma hegemonia na década de 50 porque Fangio acabou indo correr em outra equipe; "Ele era a única coisa que podia vencer o nosso carro" comentou.

Em recente entrevista, um jornalista da época deixou tudo mais claro: "Hoje se discute que tal piloto é mais frio, aquele outro ajusta melhor o carro, aquele é mais arrojado, etc. Naquela época o melhor em TUDO era Fangio". Absoluto.

Para Juan Manuel Fangio, o segredo da vitória era muito simples: "É preciso ser o melhor, mas nunca sentir-se o melhor". Uma máxima que ele levou durante toda a sua carreira automobilística.

Fangio foi o segundo campeão mundial da Fórmula 1, pilotando uma Alfa Romeo. Depois disso, um acidente o tirou de uma temporada e ele só voltou a vencer em 1954, correndo por duas equipes diferentes no mesmo ano, a Maserati e a Mercedes.

A partir daí a Fórmula 1 poderia ter se chamado Fórmula Fangio: Pela Mercedes venceu o campeonato de 1955, depois foi para a Ferrari e venceu de novo em 1956, e finalmente voltou à Maserati para devolver à equipe o campeonato mundial em 1957. Foi uma seqüência de quatro temporadas seguidas em que não houve outro campeão mundial. O mundo teve que se render àquele que, até hoje, ainda reina como o melhor da história.

Em 1958, pessoalmente, decidiu abandonar a carreira. Pessoalmente porque muitos convites, tanto de donos de equipes quanto dos próprios colegas, tentaram demovê-lo do seu intento. Fangio, entretanto, nunca mais guiou um automóvel de corrida. Morreu em 17 de Julho de 1995 aos 84 anos de idade.